Ganha força uma mobilização daqueles que defendem regulação das plataformas para proteger a infância - Foto: Bruno Peres/Ag.Brasil
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O uso das redes sociais por crianças e adolescentes voltou a gerar grande debate após o influenciador Felca Bress denunciar publicações que exploram a imagem de menores de idade em vídeos com conotação erotizada ou conteúdos inapropriados.

As denúncias revelaram perfis com milhões de seguidores que exibem crianças dançando músicas sensuais ou reproduzindo comportamentos adultos, muitas vezes impulsionados pelos próprios algoritmos das plataformas.

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Especialistas ouvidos pela Agência Brasil alertam que, para garantir a proteção de crianças e adolescentes, é urgente a criação de normas mais rígidas de responsabilização das plataformas digitais. Segundo eles, o modelo atual incentiva o engajamento a qualquer custo, estimulando a exposição excessiva da vida privada – inclusive de menores – como forma de atrair visualizações e gerar lucro.

“Explorar a infância adultizada, sexualizada ou exposta sem qualquer tipo de cuidado não pode ser considerado modelo de negócio”, afirma Rodrigo Nejm, psicólogo e especialista em educação digital. Para ele, as redes precisam impor limites claros sobre o que pode ou não ser monetizado.

Em resposta à repercussão do caso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que encaminhará ao Congresso uma proposta de regulamentação das redes sociais, e a Câmara dos Deputados já criou um grupo de trabalho para construir um projeto de lei que limite a divulgação de conteúdos que sexualizam ou explorem a imagem de crianças. Entre os textos que servem de base, está o PL 2.628/2022, que prevê multas de até 10% do faturamento da empresa para plataformas que descumprirem a legislação.

A coordenadora do NetLab/UFRJ, Débora Salles, lembra que a regulamentação é fundamental não apenas para proteger o público infantojuvenil, mas a sociedade como um todo, já que o ambiente virtual tem sido utilizado para crimes dos mais variados tipos. “As plataformas possuem capacidade técnica para moderar esse tipo de conteúdo, mas, como não são obrigadas, fazem muito pouco”, afirma.

De acordo com dados do Cetic.br, 93% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos no Brasil usam internet e 83% possuem perfil próprio nas redes sociais. Esse uso, quando não monitorado, pode expor os jovens a riscos como pedofilia, discursos de ódio e padrões estéticos irreais, contribuindo para o surgimento de frustrações e problemas emocionais. “Na lógica do engajamento, quanto mais chocante for o conteúdo, mais visibilidade e dinheiro ele gera — e isso afeta diretamente a infância”, explica Nejm.

Os especialistas reforçam que, além da regulamentação, é essencial que pais e responsáveis acompanhem de perto o que as crianças consomem e publicam. “As redes sociais não são um ambiente seguro por padrão. Assim como não se deixa uma criança sozinha numa praça, também é preciso estar atento ao que ela faz na internet”, alerta Débora.

(Com informações da Agência Brasil)