O que deveria ser um procedimento de poucos minutos, dentro da rotina do serviço de saúde, por muito pouco não virou caso de polícia na noite desta segunda-feira (16), depois que uma moradora da região do Jardim Itacolomy buscou uma ambulância para transportar sua mãe até o Hospital Municipal ‘Dr. Tabajara Ramos’.
Segundo o relato de sua filha, Lígia Brandão Moura, a paciente, Silvana, de 55 anos, sofre com sequelas irreversíveis de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) ocorrido em 2014 e, atualmente, também enfrenta um câncer no rim direito em estágio avançado. Em razão dos problemas de saúde, ela faz uso contínuo de sonda vesical, que precisa ser substituída a cada 15 dias.
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Comumente, o procedimento é realizado nos postos de saúde. Contudo, em razão do ponto facultativo de Carnaval, houve a necessidade de executar o procedimento no HM, sendo necessária uma ambulância para o deslocamento da paciente, acamada.
Lígia informou à reportagem do Guaçu Agora que iniciou os contatos para tentar obter um serviço de transporte para sua mãe por volta das 18h00.
O primeiro contato foi realizado junto ao SAMU (serviço de Atendimento Móvel de Urgência), sendo orientada a procurar o hospital. Após duas ligações, ela foi informada de que deveria retornar mais tarde devido à troca de plantão, mas, mesmo após novo contato, não obteve uma solução.
Diante da falta de resposta, a mulher foi pessoalmente até o hospital, onde afirmou ter sido informada de que a ambulância não seria liberada, sob a justificativa de que o procedimento é realizado em posto de saúde. “Na recepção me informaram que não iriam buscar minha mãe porque não tinham autorização. A recepcionista me conduziu para falar com um enfermeiro que confirmou que não iriam liberar a ambulância porque essa troca é feita no posto de saúde. Foi quando eu falei que posto de saúde se está tudo fechado devido ao ponto facultativo”, detalhou Lígia.
Segundo ela, somente após acionar a PM (Polícia Militar) a situação foi revista e o transporte autorizado. A ambulância chegou à residência por volta das 21h00 e, em poucos minutos, conduziu a paciente ao hospital, onde a troca da sonda foi realizada rapidamente. “Foram cinco minutos de trajeto e dez minutos para realizar a troca, e eu tentando desde as 18 horas”, pontuou.
A filha citou que a mãe apresenta episódios frequentes de sangramento e dor, o que impossibilita o transporte em veículo comum.
– OUTRO LADO
A reportagem do Guaçu Agora questionou o Município a respeito do episódio e quais as responsabilidade do HM em relação ao caso.
Via nota emitida no início da noite desta terça-feira (17), foi esclarecido que o atendimento protocolos fixados em situações semelhantes. Ainda assim, uma apuração interna será aberta para apurar as condutas adotadas, inclusive em relação no atendimento do SAMU.
“O Hospital Municipal ‘Dr. Tabajara Ramos’ esclarece que o atendimento seguiu rigorosamente os protocolos estabelecidos para casos dessa natureza. Ainda assim, informa que abrirá procedimento interno para apuração de condutas e avaliação da assistência prestada pelo SAMU, responsável pelo chamado inicial de assistência ao paciente”, detalhou a nota oficial.
Já SAMU Regional Baixa Mogiana divulgou nota de esclarecimento assinada pelo seu coordenador geral, Luís Henrique Machado. O órgão destacou que atua conforme as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, que regulamentam o atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência, incluindo a classificação das ambulâncias e a priorização de casos de maior gravidade. O serviço regional conta atualmente com nove ambulâncias, sendo três de Suporte Avançado de Vida (UTI móvel) e seis de Suporte Básico, distribuídas entre Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Itapira e Estiva Gerbi. Em Mogi Guaçu, estão disponíveis uma unidade avançada e três básicas, com média de 28 atendimentos diários, número considerado compatível com a população atendida e dentro dos parâmetros legais.
A coordenação também ressaltou que o Samu deve priorizar atendimentos de alta complexidade e situações de urgência e emergência, não sendo responsável pelo transporte de pacientes de baixa e média complexidade ou para realização de exames, conforme determina a legislação vigente. Segundo o órgão, o funcionamento segue critérios técnicos e regulatórios que garantem a organização e a eficiência do atendimento, reforçando o compromisso em prestar assistência qualificada à população dentro das diretrizes do SUS (Sistema Único de Saúde).
*Matéria atualizada às 16h00 do dia 17 de fevereiro com o posicionamento do SAMU























