
Entender sobre a composição de nossa terra é entender nossa história, e entender como muitas coisas ainda se perpetuam e outras tantas mudaram. Assim, é imprescindível olhar para o passado.
Nesta viagem que recorrentemente temos feito nesta coluna, buscando preencher lacunas sobre a identidade de ser guaçuano, hoje vamos conhecer um pouco sobre o quilombo que se abrigou em terras guaçuanas.
Em meados do século 18, quem chegava na Freguesia de Conceição do Campo, antigo nome de nossa terra até o nascimento de nossa cidade, se deparava com murmurinhos sobre um quilombo que se abrigava aqui.
Não uma comunidade de poucos negros escravizados que se escondiam, mas sim, uma comunidade de 90 casas e centenas de pessoas que se encontraram para proteger-se dos capitães do mato, do capitão-mor e de toda coroa, que os perseguiram.
Longe de suas terras natais, estes formaram um núcleo, onde se fortaleceriam como comunidade e buscavam sobreviver. Contudo, com acusações de roubos à beira da estrada, o quilombo passou a ser perseguido, até que o capitão-mor Manuel Rodrigues Araújo Belém, convocaria tropas e a inscrição de capitães do mato para diligências em busca dos quilombolas.
Com isso, a comunidade resistindo embrenhou-se ainda mais para dentro da mata, formando um segundo núcleo, também às margens do Rio Mogi Guaçu, o que mais tarde em novas diligências surpreendeu a todos pela grande comunidade formada e reorganizada no local, com rancharias, forjas de ferro e estrutura econômica organizada.
Esta comunidade também faz parte da identidade guaçuana e faz parte da nossa história local, que reflete sobre a história brasileira.
– SOBRE O AUTOR
Igor Rodrigues é guaçuano, atua como publicitário, é professor, escritor e presidiu o Conselho Municipal de Política Cultural de Mogi Guaçu. Vive o cotidiano guaçuano desde o nascimento, é um curioso e entusiasta da história municipal.
